Não porque alguém decidiu sobrecarregar essa pessoa.
Muitas vezes, é justamente o contrário.
Ela se tornou alguém em quem os outros confiam.
Eu já estive dos dois lados dessa situação. Já fui a pessoa que recebia mais porque sabiam que eu conseguiria resolver. E também já fui a gestora que, diante de uma situação que precisava ser resolvida, pensou primeiro em quem poderia ajudar.
É natural.
Quando alguém entrega bem, a confiança aumenta. Com ela, podem aumentar também as oportunidades, as responsabilidades e os pedidos.
O que nem sempre percebemos é quando isso deixa de ser uma oportunidade de crescimento e começa a pesar.
Porque quem é competente também cansa.
Também passa por fases difíceis.
Também precisa de espaço, apoio e, às vezes, de um pouco menos de carga para continuar entregando bem.
Talvez esse seja um daqueles detalhes da gestão que não aparecem nos números.
Não basta perceber quem está entregando.
Também é importante perceber quem está sustentando.
Uma boa equipe não é construída apenas confiando em quem dá conta.
É construída quando as responsabilidades podem ser compartilhadas e ninguém precisa dar conta de tudo o tempo inteiro.
É nesse ponto que a leitura da gestão precisa mudar.
O desempenho não depende apenas de quem executa.
Distribuição de carga, prioridades, confiança e acompanhamento também influenciam quanto uma pessoa consegue sustentar ao longo do tempo.